por estes dias, parece tudo resumir-se a urgência. é necessário produzir depressa, responder rápido e criar constantemente. estar ocupado virou sinónimo de sucesso e reconhecimento, de estar no caminho certo.
no meio disso, surge a dúvida: onde habita o resto? onde colocamos o silêncio, o intervalo ou o tempo que não serve para nada e, ainda assim, faz falta?
há um conceito japonês que tenta responder a isso: yutori. não no sentido de parar tudo, de deixarmos a produtividade para segundo plano; mas, antes disso, de deixarmos espaço e tempo suficiente para todas as outras coisas respirarem. seja no horário, na cabeça ou simplesmente na memória.
talvez seja por isso que certos discos ficam. não porque dizem algo novo ou porque precisam de ser explicados, mas porque ocupam esse espaço sem o preencher por completo. estão lá – muitas vezes misturados com a mobília – e, quase sem esforço, acabam por moldar como não pensamos – só desaceleramos.
é a partir daqui que escrevo as pressing series.
não para acrescentar alguma coisa – até porque duvido que o consiga fazer. mas, antes disso, para tentar fixar o registo de outra forma. se a música já habita em nós sem perguntas, por que não dedicar-lhe umas reticências?
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