Se o propósito é o de eternizar recordações para memória futura – como se isto não fosse uma redundância – há jogadores que, numa batalha contra o meu tempo – e vontade, confesso -, merecem as mais parcas palavras que eu possa escrever. Tomas Rosicky é um (de muitos) deles.

O ‘Pequeno Mozart’ tocou uma última vez. Fê-lo revestido no veludo tradicional com que os craques silenciosos se vestem em campo. Na República Checa, onde será sempre consagrado, partilhou o campo com dez compatriotas. Do outro lado, à imagem das personagens unânimes do desporto, estavam reunidos onze craques que lograram carreiras um pouco por todo o globo.

Sem querer recorrer a artigos extensos que cimentem a opinião do comum adepto de futebol, importa realçar o que eu ‘presenteei’ da carreira de Tomas Rosicky.

As longas sessões de jogos de computador, onde simulava ser um Alex Ferguson entre 1999 e 2014 – o ‘rótulo’ de Sir sempre me seduziu – fizeram-me descobrir o pequeno mágico checo ainda na Alemanha, no Borussia Dortmund. A planificação de uma equipa obrigava, constantemente, a um pedido de informações por Rosicky e Dedé, então lateral esquerdo.

A memória não me deixa recordar quantas vezes o tive sob o meu comando, fosse enquanto treinador ou num outro simulador que me permitisse premir o botão do passe – e do remate – sem receio de que a bola saísse comprida ou curta de mais. Na medida, peso e tempo certo, como os grandes pensadores.

A casa de Tomas viria a transportar-se para Londres e, com ela, todo um legado que continuou a ser escrito subtilmente.

Requinte. Técnica. Visão. Toque. Tudo sinónimos do pequeno – mas sempre gigante – mágico checo. (Do Arsenal também, verdade!)

Apenas conquistou dois títulos – estamos a falar do Arsenal, perdoem-me a brincadeira – mas não houve nenhum adepto dos gunners e do futebol que tenha ficado indiferente ao seu jogo.

Acabou a carreira onde a começou, antes da fatídica partida para Alemanha, para Dortmund. O Sparta de Praga lançou e recolheu o jogador, como devem terminar todas as histórias de amor.

Pintou quadros em espaços curtos, morais pelo campo inteiro. Deu música – ele que adorava metal – e despediu-se com uma assistência especial… para o seu filho.

A passagem de testemunho estava dada. A música do ‘Pequeno Mozart’ chegou ao fim, mas aqui nunca há-de acabar.

Por muito parcas que as palavras sejam.

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