As taças das competições europeias desta temporada têm destino marcado: Inglaterra. Pela primeira vez na história do futebol, as duas finais das maiores competições de clubes do futebol europeu, Liga dos Campeões e Liga Europa, vão ser discutidas por quatro equipas do mesmo país, um dado que não deixa dúvidas quanto à força da Premier League no atual panorama do desporto rei.

Embora seja um feito assinalável, há algumas alíneas que não têm orgulhado tanto assim os adeptos por terras de Sua Majestade.

A chegada de Arsene Wenger ao Arsenal, em 1996, é reconhecida como a primeira tentativa (séria) de ‘internacionalizar’ o futebol inglês, receoso de sobreviver perante o domínio dos restantes países da Europa. A mudança tornou-se evidente anos mais tarde, aquando do ‘renascimento’ de emblemas como o Chelsea ou o Manchester City, os exemplos mais evidentes do poder financeiro que a Premier League tem tido nos últimos tempos.

Estra transformação foi feita de forma gradual e ganha maior relevo na época de 2011/2012, quando apenas quatro equipas que disputaram a Premier League eram orientadas por treinadores ingleses. (Em 1993, por exemplo, 16 dos 22 técnicos que terminaram a temporada eram nascidos em Inglaterra).

Os dados voltaram a ser analisados esta semana, quando se verificou que nenhum dos quatro emblemas que vão discutir as provas internacionais é orientado por um treinador inglês: Klopp (alemão) no Liverpool, Pochettino (argentino) no Tottenham, Emery (espanhol) no Arsenal e Maurizio Sarri (italiano) no Chelsea. Além disso, é preciso descer até ao 12.º lugar para encontrar um técnico inglês na tabela atual da Premier League: Roy Hodgson, no Crystal Palace. (Brendan Rodgers, agora no Leicester, é natural da Irlanda do Norte, explica o site da competição)

A situação tem motivado alguma discussão entre os adeptos ingleses nas redes sociais e ganha ainda maior expressão quando também os jogadores são ‘postos à prova’.

Dos 44 jogadores que foram lançados de início por estes treinadores, apenas oito são ingleses: Loftus-Cheek (Chelsea), Maitland-Niles (Arsenal), Trippier, Delle Alli e Rose (Tottenham) e Alexander-Arnold, Milner e Henderson (Liverpool). Joe Gomes e Sturridge entraram nos ‘reds’ no decorrer do encontro, enquanto Maurizio Sarri lançou também Ross Barkley.

Apesar do feito histórico, que pode ser explicado pelo poder financeiro de todas as equipas que disputam a Premier League, a estatística tem levado os adeptos do futebol a questionar-se: São duas finais europeias discutidas por equipas inglesas, mas estará Inglaterra na base de todo o sucesso?

 

Artigo originalmente publicado em Bancada.pt

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