Jorge Mendes é um nome que surge diluído em cada período de transferências no futebol. Este verão, depois de uma fase até meados de julho em que voltou a afirmar-se como um super-agente, nomeadamente com o negócio de João Félix para o Atlético de Madrid, o agente desportivo português viu três das suas transferências caírem por terra: Perín para o Benfica, André Silva para o Mónaco e Fábio Coentrão para o FC Porto. Pippo Russo, jornalista italiano, assinou esta sexta-feira um peça que descortina especialmente estes três negócios de Jorge Mendes que, escreve, “desapareceram a um passo da assinatura”.
“Estas foram as negociações que envolveram jogadores da equipa da Gestifute, ou clubes que fizeram a opção de se ligarem ao agente português e mais tarde descobriram quanto teriam feito melhor se o mantivessem a uma distância segura”, enquadra o jornalista.
Dando especial atenção à transferência de Perín para os encarnados – o guarda-redes falhou nos exames médicos – a publicação questiona se Jorge Mendes “é tão bom a fazer ganhar” dinheiro como a gastar.
“É uma dúvida legítima. Há um ano, o dono da Gestifute levou João Cancelo e Cristiano Ronaldo para a Juventus. (…) No total, entre a aquisição de direitos económicos e encargos auxiliares (isto é, comissões pagas ao próprio Mendes ou a ele), os gastos da sociedade da Juventus foram superiores a 155 milhões de euros. (…) Mas agora que se trata de ajudar a Juventus a ganhar dinheiro, Mendes mostra uma preocupação gritante. A porta é batida na cara pelo Benfica, que também é um clube onde ele domina há anos. A Juventus vê um jogador regressar de Portugal por não passar nos exames médicos”, pode ler-se.
Pippo Russo relaciona o negócio de Perín com o de Sturaro para o Sporting, onde o médio esteve durante a primeira metade da época a recuperar de lesão, e lembra que mesmo a venda de João Cancelo para o Manchester City tarda em acontecer: “Pouco faltava para que os 60 milhões de euros estivessem nos cofres da Juventus, prontos para serem gastos. No entanto, esses 60 milhões permanecem distantes”.
O “caminho de armadilhas” de Jorge Mendes prossegue com André Silva, um “menino que provavelmente continuará a ser garoto para a vida toda” e que chegou a Itália depois de ter sido “tema de um endosso embaraçoso da imprensa desportiva do seu país”.
Após um bom arranque ao serviço dos milaneses, o internacional português foi cedido ao Sevilha na temporada seguinte, onde arrancou a um excelente nível que motivou dúvidas na direção ‘rossonera’.
“Em vez disso, nos restantes dois terços da época, André Silva volta a ser ele e o clube andaluz não pensa em mantê-lo. É aí que Jorge Mendes propõe o atacante a um clube seu amigo não menos que o Benfica: o Monaco. Tal como o Benfica com Perín, a bola é derrubada. Motivo? Diz-se que, mesmo nesta circunstância, o futebolista não passa nos exames médicos. Mas esta versão é imediatamente oposta por outra, que fala em divergências económicas. (…) É que até mesmo o Milan, como a Juventus, fez as propinas à espera que Jorge Mendes desbloqueie o mercado para a saída”, escreve.
Por fim, Pippo Russo atribui também a não realização do negócio de Coentrão para o FC Porto a Jorge Mendes. “Tudo parece pronto para ser transferido e, no último minuto, o negócio desaparece. Neste caso, as razões para a não-transferência são menos conhecidas, mas certamente há o peso dos adeptos do FC Porto. E Jorge Mendes regista o terceiro ‘flop’ em poucos dias”.
A algumas semanas do fecho de período de transferências, o jornalista italiano aproveita para tentar antecipar alguns movimentos de Jorge Mendes, nomeadamente no caso de James Rodríguez, desejado pelo Nápoles, e de Pedro Neto e Bruno Jordão, dois jogadores colocados na mira do Benfica.
“Ponto 1: Mendes está empenhado em reconstruir uma relação com o Real Madrid e, por isso, espera ver o clube permitir a venda do jogador depois de ter facilitado o negócio de Raul De Tomas para o Benfica; Ponto 2: O Nápoles terá de reutilizar os 17 milhões da venda de Carlos Vinícius para o Benfica; Ponto 3: Nesse sentido, devemos enfatizar que o dono da Gestifute ‘reutiliza’ sempre o dinheiro coletado por um clube. É por isso que estamos a sorrir para aqueles que escrevem que ‘Mendes ajudará Nápoles a crescer’. Mendes nunca ajudou ninguém a crescer, além de si mesmo e daqueles que lhe confiam o dinheiro para investir”, pode ler-se.
“O que acontecerá aos dois fantasmas da Lazio, Pedro Neto e Bruno Jordão, que devem ser colocados pelo dono da Gestifute, depois de serem pagos em excesso pela empresa de Claudio Lotito para aproveitar dois anos de férias romanas? Os nomes Benfica e Mónaco foram nomeados. Ou seja, os clubes que rejeitaram Perín e André Silva”, questiona Russo.
Artigo originalmente publicado no Bancada.pt
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