Luís Campos é, por estes dias, um nome de sucesso na Ligue 1, em França. Depois do trabalho realizado ao serviço do Mónaco – que culminou com a conquista do campeonato em 2017 – o diretor desportivo chegou ao Lille para, em dois anos, estar no centro do melhor verão de clube no que à venda de jogadores diz respeito: cerca de 150 milhões de euros.

No dia em que Rafael Leão e Nicolas Pépé abandonam o emblema francês, o jornal ‘AS‘, de Espanha, dedica um artigo ao “estratega que colocou várias equipas francesas na montra dos grandes clubes da Europa”.

“O método de Luís Campos começou a construir-se no Principado. Antes do seu desembarque na Ligue 1, o diretor desportivo esteve uma temporada no Real Madrid, onde trabalhou como observador. Mourinho viu nele um enorme talento para recrutar jogadores e não hesitou em levá-lo para a capital espanhola para conseguir informações sobre jovens atletas. Porém, Luís Campos não se sentiu cómodo e decidiu mudar-se para o país vizinho”, enquadra o jornal.

A aparição de Dimitri Ryboloblev no Mónaco ‘revolucionou’ o campeonato francês. Decidido a ombrear com o Paris Saint-Germain, os monesgascos recrutaram nomes como Falcao, James Rodriguez, João Moutinho ou Abidal, o que chamou as atenções da Europa do futebol. Meses mais tarde, após problemas financeiros, o milionário viu-se obrigado a inverter a política de transferências. Luís Campos foi o escolhido para assumir o cargo de diretor desportivo.

Privado dos milhões de Ryboloblev, o português apostou em jogadores jovens e ‘mais em conta’ que no anterior defeso: Thomas Lemar, Bernardo Silva, Sidibé, Mendy ou Glik. Escreve o ‘AS’ que Luís Campos foi ainda preponderante para que Mbappé renovasse com o Mónaco e se tornasse numa das figuras do plantel.

Em resultado, Leonardo Jardim comandou o Mónaco à conquista de uma histórica liga, em 2017, além de alcançar as meias-finais da Liga dos Campeões, depois de eliminar equipas como o Borussia Dortmund e o Manchester City. No final dessa época, o Principado viu ‘fugir’ as principais estrelas da equipa: entre outros, Mendy e Bernardo Silva rumaram ao Manchester City e Bakayoko mudou-se para o Chelsea. Em resumo, mais de 200 milhões de euros em vendas, o valor mais alto na história do clube, e um novo desafio para Luís Campos.

A cerca de 800 quilómetros de distância, o diretor desportivo era, à época, o homem forte das transferências de Marcelo Bielsa. O Lille reforçou-se com Nicolas Pépé (10 milhões de euros), Thago Mendes (nove milhões) e Kévin Malcuit (nove milhões), três das suas escolhas no primeiro verão no novo clube. A temporada não correu de feição – Bielsa nunca teve um feitio fácil – e Luís Campos assumiu mais protagonismo no verão seguinte, em 2018.

Detentor de toda a responsabilidade para as transferências, o português viu-se ainda de ‘braços atados’ perante as regras do fair-play financeiro que o clube enfrentava. Porém, chegaram ao norte de França jogadores como Ikoné (cinco milhões de euros) e Celik (dois milhões). Jonathan Bamba assinou a custo zero, bem como os portugueses Rafael Leão e José Fonte.

“Com um investimento de apenas oito milhões de euros e tendo recebido 69, o Lille realizou num dos melhores defesos da sua história. Ikoné, Bamba e Pépé multiplicaram o valor do investimento, o que aconteceu com Thiago Mendes e Rafael Leão, jogadores desconhecidos mas que em pouco tempo, graças à confiança de Campos, mostraram todo o seu potencial na Ligue 1”, escreve o AS.

Esta quinta-feira, confirmados os negócios de Rafael Leão para o Milan e Nicolas Pépé para o Arsenal, o Lille conseguiu o melhor período de transferências (em vendas) da sua história: mais de 150 milhões de euros. Thiago Mendes foi comprado por nove milhões e vendido por 22 para o Lyon; Koné, que custou um milhão, seguiu os passos do colega a troco de nove milhões; Pépé viu os 10 milhões investidos nele valerem hoje 80 para o Arsenal e Rafael Leão, que chegou a custo zero, custou 35 milhões aos cofres do Milan.

“O Lille conseguiu receber a maior quantidade de dinheiro da sua história. Como no Mónaco, ambos têm uma figura em comum: Luís Campos. As mais-valias do português permitiram que a equipa do norte de França recebesse valores impensáveis há um ano. (…) Em resumo, Luís Campos é um estratega que colocou várias equipas francesas na montra dos grandes clubes da Europa”, remata o jornalista Andrés Onrubia.

 

Artigo publicado originalmente em Bancada.pt

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