Há mais de uma década que o nome de Sergio Canales se ouve pelos corredores do futebol mundial, especialmente pelos do país vizinho. As maratonas de Football Manager obrigavam a uma pesquisa pelo médio ofensivo espanhol, com amplo destaque para os atributos que ainda hoje o caracterizam: técnica, passe, primeiro toque e todos aqueles que o simulador não mostra mas que um jogador de cabeça levantada por certo tem.

A mudança do Racing Santander para o Real Madrid foi um salto natural atestado pela sua qualidade, traduzida pelos seis golos na Liga Espanhola e um na Taça do Rei, o seu melhor registo… até esta temporada.

Demorou talvez mais que o esperado, mas a emancipação de Canales chegou. A transferência para o Real pode até ter sido prematura, mas as constantes lesões no joelho não permitiram que o médio ‘crescesse’ como se antevia. Passou por Valência e Real Sociedade mas, embora tivesse sempre o recorte técnico como tónico, o seu talento foi ficando ofuscado.

Até este ano.

Em Bétis, o ‘velho’ Canales voltou a aparecer: rápido com a bola nos pés e ainda mais veloz no pensamento; técnica apurada, visão de jogo, esforço e carisma suficiente para assumir a ‘batuta’ quando o jogo pede um traço de personalidade distinta. Aconteceu na última jornada, na receção ao candidato Atlético de Madrid, da marca dos onze metros. Sergio não tremeu, bateu Oblak e assinou a melhor época da carreira também a nível estatístico: oito golos – seis na Liga, um na Taça e um na Liga Europa.

Até na altura de festejar mais uma vitória na qual foi vital, Canales, agora com 27 anos, mostrou que a maturidade é também uma característica fundamental para o sucesso.

“Sim, é verdade que foi um grande momento. É certo que tenho tido continuidade, houveram outros momentos da carreira em que estive bem, mas devido a algumas circunstâncias tive que abrandar. A energia é a mesma da época passada, mas esta capacidade física dá-te confiança para inventares coisas durante o jogo”, contou o médio, em declarações à Marca.

Há, contudo, outros fatores que influenciam diretamente o rendimento de Canales. É que o Bétis de Quique Setién é uma das equipas sensações da Liga Espanhola, com uma ideia de jogo baseada na posse de bola que tem encantado o Benito Villamarín.

“O nosso estilo de jogo ajuda muito. Temos feito um esforço tremendo todos os dias. Somos um grupo muito profissional, sempre a pensar no jogo seguinte e em como podemos melhorar. (…) Queremos que seja especial, que seja um ano diferente. Este clube, pela forma como está a fazer as coisas, merece um ano bonito. Voltar à Europa é um objetivo. Ainda estamos em todas as competições, estamos a conseguir”.

O Bétis é atualmente o sexto classificado do campeonato, em igualdade pontual com o quinto, o Getafe, e a quatro pontos do Sevilha, o grande rival. Daqui a poucas horas defronta o Valência nas meias-finais da Taça do Rei e em poucos dias discute a passagem aos ‘oitavos’ da Liga Europa, frente ao Rennes.

Canales é um dos principais protagonistas da excelente temporada da equipa de Sevilha e, em Espanha, já há quem ache que o médio devia ser considerado por Luis Enrique para a ’La Roja’. Sendo ou não chamado, há uma certeza: Canales vai assistir ao jogo à sua maneira, de cima para baixo.

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