há uma ironia no nome nunca incomodativa. nasceu de um álbum. no entanto, o panopticon de bentham — e depois de foucault — é uma estrutura de vigilância total. uma prisão, circular, onde os reclusos se sabem observados a qualquer momento, sem nunca saberem exatamente em que momento. o poder não precisa de ser exercido - basta a possibilidade de o ser. é o nome da confissão do meu apetite em escrever. sem avisar, sem calendário e sem desculpas. uma subversão deliberada. aqui, não vigio — sou vigiado. é um lugar de exposição voluntária e irregular; um local de escrita que existe porque existe, não porque alguém a espera. há coisas só compreendidas quando escritas. as ideias ficam na mente e perdem a forma. a forma é a da mente que as guarda — nem sempre necessariamente verdadeira, mas muitas vezes conveniente. ao fim do dia, escrever não é mais do que ver a ideia de fora para dentro. às vezes surpreende; muitas vezes dececiona. é, quase sempre, diferente do esperado. a partilha é um bónus, não o objetivo. um texto para ser lido é um texto para ser aprovado. prefiro textos para perceber. ou para me perceber. há inúmeros conceitos para explicar a folga, o desacelerar ou o respirar entre rotinas. talvez isto seja um deles. não há métricas, agendas, calendários ou estratégias. há espaço para pensar devagar. um artigo demora meses porque a ideia não abriu completamente; uma série existe com dois textos durante anos. a irregularidade não é um defeito — é a condição que torna o panopticon possível. não há nada a subscrever, nada a partilhar ou algoritmos para alimentar. há textos — longos, curtos ou quase inexistentes, mas todos feitos com o cuidado que merecem. podes ficar; podes voltar daqui a seis meses e podes até não mais aparecer. isto estará por aqui, a habitar entre o tempo que não serve para nada e o tempo que, ainda assim, faz falta. isto não é uma coleção. é uma confissão.