‘Rei morto, rei posto’. A expressão é antiga mas serve para definir a reestruturação que o Atlético de Madrid operou nas primeiras semanas do período de transferências. Em vias de perder a espinha dorsal da última época, os ‘colchoneras’ anteciparam-se à concorrência e garantiram um substituto para cada uma das principais saídas.
Xavier Bosch, jornalista do Mundo Deportivo, explica o processo num artigo intitulado de “a inteligente revolução de Simeone”, no qual enumera as principais saídas e entradas deste novo Atlético de Madrid, mas tradicional na forma de entender e preparar o jogo por parte do técnico argentino.
“Atlético de Madrid viu sair a sua coluna vertebral. Adeus a Godín, capitão e líder, pilar defensivo da última década. Adeus a Rodrigo, o médio que num ano ganhou o seu lugar no clube, na seleção e deixou a Europa do futebol perdida de amores por si. Adeus a Griezmann, a estrela da equipa, símbolo e goleador”, começa por enquadrar.
Perante “as montras de Florentino [presidente do Real Madrid], de apresentação em apresentação”, a direção ‘colchonera’ trabalha com descrição e já colmatou essas saídas: Felipe, Marcos Llorente e “a jovem pérola João Félix”.
Porém, o ciclo do Atlético de Madrid, defende Bosch, não se define com jogadores, mas sim como “o ciclo de Simeone”.
“A ânsia de jogar com um estilo próprio e às ordens de Simeone: lutar por cada partida como se fosse o último da sua vida. Não há imprescindíveis. Não são soldados, mas o técnico conseguiu colocar sempre o coletivo em cima das individualidades”, pode ler-se.
Ainda longe do término do período de transferências – e com Rodri, Griezmann e Félix por oficializar – o Atlético tem sido um dos emblemas mais ativos nestas semanas, à semelhança dos ‘vizinhos’ do Real. Por isso, pergunta Bosch, “imaginam o Atlético, com dois produtos da formação de Madrid, como Llorente e Morata, a conseguir lutar pela Liga, pela Taça e pela Liga dos Campeões?”
Artigo originalmente publicado em Bancada.pt
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