Thierry Henry foi, provavelmente, um dos jogadores mais elegantes que tive o prazer de ver jogar. Um dos maiores elogios que posso fazer-lhe, pessoalmente, é o facto de ainda hoje a finalização rasteira, junto ao segundo poste, ser um golo “à Henry”.
Aqui recordo uma entrevista publicada inicialmente em Outubro de 2006, pela FourFourTwo, depois do avançado francês perder duas finais: a do Campeonato do Mundo, e a da Champions League.
O que se recorda da sua infância em Les Ulis? Andava sempre com uma bola nos pés?
Simon Nuttal, via e-mail
Claro, tinha sempre uma bola comigo. Acima de tudo, recordo as críticas e encorajamento que recebia do meu pai. Mesmo quando era mais novo, ele dizia-me tudo o que eu tinha feito de errado em cada jogo. O meu pai assumiu um papel importante na minha ‘educação futebolística’ – por vezes parecia que eu estava a jogar por ele. Quando és criança não há nada melhor que fazeres os teus pais felizes. Lembro-me perfeitamente do sentimento de caminhar para o carro depois de uma boa exibição, e saber que o pai me esperava com um sorriso pelo que eu tinha feito em campo. Não que isso tenha acontecido assim tantas vezes! Ensinou-me que nunca deves estar satisfeito com o que fazes ou tens – há sempre espaço para melhorar. Foi assim que eu fui educado.
Sendo Parisiense, a mudança para o Sul de França representou um ‘choque’ de culturas?
Jerry, via e-mail
Foi como que um choque, sim, comparando com os subúrbios Parisienses onde eu cresci. O que mais me surpreendeu foi como tudo estava tão limpo bem como a quantidade de carros brilhantes que lá havia. Foi como estar numa grande produção cinematográfica, nada parecia real. Achei difícil habituar-me, mas o Mónaco é bonito, um local fantástico para viver.
Sentiu-se satisfeito com a presença de Sonny Anderson na frente de ataque do Mónaco, deslocando-o para a posição de extremo e alargando a sua cultura futebolística?
Sarah Dawkes, via e-mail
Claro. Eu aprendi ao ver as movimentações que ele fazia, bem como muitas outras coisas por jogar mais ‘aberto’: provou ser muito benéfico para a minha carreira. Jogar numa posição de extremo depois de ser sempre um avançado centro ensinou-me coisas sobre o jogo que de outra forma não teria aprendido. Acima de tudo, o que me ensinou foi o facto de que quando és o avançado centro tu vais ter sempre os holofotes apontados para ti. Podes dar o teu melhor a jogar mais aberto, fazeres os possíveis e para soltares bem em bola, mas será sempre o homem que faz o golo a receber a glória e a atenção. O Sonny não era assim – ele ficava muito agradecido ao trabalho que os seus companheiros faziam – mas para muita gente, nomeadamente a imprensa, é tudo sobre o avançado. Mesmo que ele não estivesse assim tão bem, se marcasse golo seria o centro das atenções.
Ensinou-me a ser consciente e a reconhecer o trabalho dos meus companheiros de equipa. Agora eu estou a fazer golos, mas tento elevar a contribuição dos meus colegas. Penso que é injusto que haja tanto foco no homem que marca o golo. Podes driblar três homens e fazer um cruzamento que apenas de ser encostado para a baliza, e mesmo assim será quem a encosta a encher as manchetes.
Teria jogado na final do Campeonato do Mundo de 1998 se o Marcel Desailly não tivesse sido expulso. Como se sentiu quando percebeu que aquele cartão vermelho acabou com o seu sonho do Mundial? Estragou os festejos?
David Moss, via e-mail
Honestamente, foi difícil. Afinal de contas, era a final do Mundial. O Treinador, Aime Jacket, disse-me para ir aquecer ao intervalo: “Vais entrar”, disse ele. Algum tempo depois disse-me “Ok, mais cinco minutos”, e depois surgiu a expulsão. É verdade que durante uma fracção de segundo pensei ‘Foda-se!’ mas certamente não estragou os festejos – foi uma vitória extraordinária!
Depois do Mundial, transferiu-se para a Juventus. O que correu mal em Itália?
Ryan White, via e-mail
Há uma coisa que eu tenho de dizer sobre isto, um assunto que é preciso clarificar. As pessoas normalmente dizem que eu joguei pouco tempo na Juve, mas eu joguei sempre. Eu transferi-me em Janeiro, o que por si só explica o número limitado de jogos. Eu joguei nos restantes 16 jogos da liga, sendo titular em 13 deles; nos primeiros três comecei no banco devido à situação do treinador, o Marcello Lippi, que estava a decidir se deveria sair do clube e achou melhor dar-me algum tempo de jogo.
Nos últimos cinco/seis jogos eu cheguei mesmo a marcar ou a dar a marcar um golo. Um ou outro. É verdade que demorei a algum tempo a adaptar-me ao sistema táctico, uma vez que jogávamos em 3x5x2 e eu não estava habituado, mas assim que me adaptei comecei a fazer bons jogos. Eu deixei a Juventus por outras razões que nunca quis aprofundar.
Tendo jogado na Juventus, o que acha do escândalo de resultados combinados? Suspeitou de alguma coisa enquanto lá estava, e acha suficiente a punição dada às equipas?
Larry Longfellow, Littlehampton
Francamente, não, nunca suspeitei de nada, e eu não gosto de falar de coisas sem ter toda a informação necessária. Tudo que sabemos é o que lemos ou ouvimos, portanto é difícil julgar o que é realmente verdade. Recordo-me de quando o título da Champions League de 1993 foi retirado ao Marselha: eu não queria saber detalhes. Era adepto do Marselha na altura, uma equipa que me fez sonhar, e eu não queria saber nada dessas coisas.
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É verdade que demorei a algum tempo a adaptar-me ao sistema táctico, uma vez que jogávamos em 3x5x2 e eu não estava habituado, mas assim que me adaptei comecei a fazer bons jogos.
Quão fácil foi a decisão de se juntar novamente ao Wenger no Arsenal? Que clubes rejeitou?
Tony Howard, Maidenhead
Não rejeitei nenhum cube. Nem sequer considerei a hipótese de jogar por outra equipa assim que soube da possibilidade de trabalhar com Wenger.
Esteve oito jogos sem marcar quando chegou ao Arsenal, e chegou mesmo a acertar no Clock End com um remate desastroso. Naquele momento, temeu não conseguir impor-se?
Robbie Murray, via e-mail
A história de acertar no Clock End é uma história minha, é o que eu digo a toda a gente. Mas não, não me senti preocupado, não é a minha forma de pensar. Apenas continuei a trabalhar, a treinar em frente à baliza que os golos eventualmente apareceriam.
Sete anos depois, qual a melhor memória dos tempos no Arsenal? Melhor golo? Melhor momento?
Steve Pears, North London
Penso que a melhor memória será sempre a de aguentar toda a temporada sem derrotas, bater o record e aguentar a nossa invencibilidade. É um feito brutal na Premier League, com todos aqueles jogos complicados. Ninguém conseguirá tirar-nos isso.
Fale-nos do look das meias acima dos joelhos. Porquê? Qual foi a ideia? Foi uma aposta?
Mike Honeywell, via e-mail
A resposta é Sonny Anderson.
Arrepende-se daquele incidente com o árbitro Graham Poll em 2001, frente ao Newcastle, onde teve que ser puxado várias vezes depois do fim do jogo?
Neil Kateley, Ealing
Esse é um daqueles incidentes mal interpretados. Alguns dos meus colegas tentaram afastar-me, é verdade, mas apenas porque acharam que eu iria perder o controlo total, o que não era o caso. Eles tentavam afastar-nos enquanto eu lhes dizia que não iria tocar no árbitro, o que tornou as coisas mais feias, que normalmente é o que acontece nessas situações. Quando eu fui ter com o Pool não havia ninguém à volta, pelo que se eu quisesse fazer alguma coisa, tinha feito ali. Apenas queria falar com ele cara a cara, olhos nos olhos. Queria uma resposta da parte dele, e ele ainda não ma tinha dado. Disse-lhe que ele tinha estragado o jogo, e ele fê-lo, mas não foi homem o suficiente para admiti-lo. Foi isso que me deixou revoltado.
Não sei se se recordam, mas ele expulsou o Graig Bellamy – ainda não sei porquê – e o Ray Parlour por nada. Depois o Sol Campell faz um corte absolutamente fantástico e ele assinalou penalti. No final do encontro eu apenas lhe perguntei qual a razão de estragar o jogo – tanto para o Newcastle como para nós. Ele não foi capaz de responder. Se és um homem, tu respondes. Toda a gente comete erros.
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O único momento em que realmente pensamos nisso [na invencibilidade] foi em Portsmouth, no antepenúltimo jogo da época, quando estivemos por baixo do jogo antes de empatarmos a uma bola.
Em que ponto da época dos ‘Invencíveis’ é que os jogadores começaram a acreditar que era possível aguentar a época toda sem derrotas?
Sarah Campbell, Stevenage
Ninguém pensou nisso. O único momento em que realmente pensamos nisso foi em Portsmouth, no antepenúltimo jogo da época, quando estivemos por baixo do jogo antes de empatarmos a uma bola. Lembro-me de comentarmos que seria estúpido perdermos um jogo com o final da época tão perto. Talvez inconscientemente tenhamos começado a pensar nisso a 4/5 jogos do final do campeonato, mas, sinceramente, pensar nisso é o pior que podes fazer. Começas a jogar para não perder quando deves jogar como sempre fizeste. Em Portsmouth tivemos uma primeira parte complicado: o Yakubu marcou e teve outra chance clara de golo em frente ao Seaman, mas não conseguiu marcar.
Sempre se deu muito bem contra equipas italianas. Porquê?
Gigi Mazzola, via e-mail
Engraçado, não é? Especialmente quando eu ouço frequentemente que é mais fácil jogar contra defesas inglesas.
Uma altura vi uma fã do Arsenal com ‘Thierry Henry’ tatuado à volta do estômago. Como é que isso o faz sentir?
Mimi Taylor, via e-mail
No fim de um jogo um adepto pediu-me para lhe assinar o braço. Eu disse-lhe ‘Dá-me um papel ou coisa parecida, se não isso desaparece do braço’, ‘não, eu vou tatuar a assinatura’. Achei difícil de perceber uma vez que sou apenas um futebolista, não salvo as vidas de pessoas nem essas coisas. Tens de ser fã para compreenderes. Devo dizer que quando ele voltou e me mostrou a tatuagem eu fiquei agradavelmente surpreendido. Mas às vezes fico um pouco triste com esse tipo de coisas.
Porque usa a camisola 14 no Arsenal e a 12 na Seleção Francesa? É superstição ou homenagem – se sim, a quem?
Gary Spencer, via e-mail
O número 12 é porque o Van Basten o usou no Europeu de 1998, e o 14 é porque simplesmente foi o que me deram! Simples, não há nada de especial por trás disto. Quando eu cheguei, o Christopher Wreh usava o número 12, por isso fiquei com o que estava livre. Ele poderia ter-me oferecido, mas eu não gosto disso, chegar e ficar com um número de alguém que já está no clube. Ele era meu amigo, aliás, mas mesmo que eu não o conhecesse, nunca aceitaria.
Qual o hábito inglês mais incompreensível que encontrou?
Rose Simons, via e-mail
Ketchup! Ketchup aqui, ketchup ali, vocês põem ketchup em tudo! Não querem saborear a comida? [risos]. Tenho um amigo cá, que se lhe derem esparguete à bolonhesa ele vai enchê-lo de ketchup! Dão-lhe qualquer coisa para comer, ele põe ketchup! Eu digo-lhe “se gostas assim tanto disso, bebe-o! Põe-no numa garrafa e bebe-o!”
A outra coisa é molho – espalhado por toda a comida, por todo o prato até que não vejas mais nada a não ser molho. Eu divirto-me com os rapazes. Digo-lhes: “Vocês sabem, pelo menos, o que estão a comer? Conseguem saborear alguma coisa com esse ketchup e esse molho todo?”
No Arsenal nós temos um massagista que é extraordinário. Pega no prato e preenche-o com um bocadinho de tudo. Tudo no mesmo prato! Põe o aperitivo num lado, a batata no outro, pasta, depois arroz. Depois pega num pedaço de carne, põe por cima e enche tudo com molho. (…)
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As pessoas gostavam de trazer ao de cima a história da velha biblioteca de Highbury, mas para mim vão ser sempre memórias especiais no meu coração.
O que estavam exactamente a conversar – o Henry, o Ashley Cole e o Robert Pires – no último jogo em Highbury, quando estavam no centro do campo com o estádio quase vazio?
Bradley Glen, Walthamstow
Lembro-me de dizer ao Robert que tínhamos de aproveitar aqueles momentos. Foi o fim de Highbury, um estádio mágico. É nesses momentos que tu vês a diferença para os mais novos – eles tinham saído, a correr em várias direcções – mas eu não quis sair de Highbury, e foi por isso que fiquei lá com o Ashley e o Robert.
Highbury era calmo comparado com outros estádios da Premier League? Os jogadores opinaram sobre o que gostariam para o novo estádio?
Adam Ridley, Thorpe
Provavelmente haviam estádios onde havia mais barulho, mas Highbury não era apenas isso. Era o lugar como um todo… é difícil encontrar as palavras para descrevê-lo. As pessoas gostavam de trazer ao de cima a história da velha biblioteca de Highbury, mas para mim vão ser sempre memórias especiais no meu coração.
Quanto ao novo estádio, nós não fomos consultados, mas a única coisa que nos preocupava era se seria possível fazerem um relvado como o de Highbury. O estádio é uma coisa, mas se o relvado não for excepcional, então não valia a pena. A parte boa é que o relvado era fantástico, extraordinário! É muito importante para nós, aqui no Arsenal, porque nós jogamos futebol a um/dois toques. Não precisas de tocar na bola três vezes para a controlar, consegues fazê-los instantaneamente. Às vezes é difícil perceber, mas o estado do relvado é crucial para a forma como nos jogamos. Além disso, é mais largo, o que é bom.
É verdade que chegou a pagar a um homem para pendurar um quadro em sua casa? Se sim, não poderia ser você a fazê-lo? É bastante simples…
Matt Barnes, Tasmania
Não vou responder a isso. Não faço ideia onde é que o pessoal vai buscar essas coisas!
Nunca foi conhecido por ser um jogador de simulações, ao contrário dos jogadores do Barça. Ainda durante o Mundial, o Puyol tocou-lhe na cara e você deitou-se no chão a queixar-se. Foi uma decisão consciente, e arrepende-se agora?
Paul, Sidney
Ok, esta é simples. O Carles Puyol é um tipo porreiro, mas ali foi falta atrás de falta atrás de falta e o árbitro não tinha coragem para fazer o que tinha de fazer. Passou-se o mesmo na final da Liga dos Campeões: ele cometeu duas faltas feias sobre mim, mas eu não caí e ele não recebeu o cartão que merecia ter recebido. Até que eu me dirigi ao árbitro e lhe disse, “Ok, podes ter o critério mais largo, mas tu podes voltar atrás de a bola não estiver jogável”. Ele respondeu, “sim, mas tu não caíste”. O que faço com isto?!
Na primeira parte do nosso jogo no Mundial, quando a bola não estava sequer perto de nós, o Puyol deu-me uma cotovelada. Apenas olhei para o árbitro. Ele disse: “Tens a bola, estás em vantagem, joga.” Na segunda parte ele coloca-me a mão na cara – nada. Pensei, “na próxima, caio”.
Para o lance concreto da pergunta, estou a correr para a bola que o Pernia deveria ganhar facilmente porque eu arranquei tarde. Vejo o Puyol no meu caminho a tentar bloquear-me. Tentei contorná-lo, mas ele dá aquele passo ao lado e bloqueia-me. Agora eu gosto de basquetebol, onde o bloqueio faz parte do jogo, mas no futebol não. Na Liga dos Campeões, aquele foi o último bloqueio do Puyol, e eu caí. Provavelmente não estive bem, mas depois de algum tempo tu percebes que não estás a ajudar ao ficar de pé. Para mim, é justificável.
O que disse o Materazzi para provocar a cabeçada de Zidane na final do Mundial?
Gunner Bob, via e-mail
Não sei. Sinceramente, não quero saber.
O que disse o Zidane ao resto da equipa depois da final? Estava chateado, envergonhado?
Glyn Price, via e-mail
Claro que estava chateado, mas a equipa perdoou-o naquele momento. Poderia ser de outra forma depois de tudo o que ele deu ao futebol francês?
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[ Melhor parceiro? Sem hesitar um segundo.]
Dennis Bergkamp. Dennis.
França 1998 x França 2006: quem ganha?
Matt Harrison, Coventry
Ohh! Não faço ideia. Aliás, há jogadores que teriam de fazer uma parte por cada equipa. Há uma equipa que venceu o Campeonato do Mundo e outra que não, mas tens uma que o jogou em casa e a outra não. Honestamente, não sei – eu só estou feliz por ter feito parte das duas.
Quem foi o seu melhor parceiro de ataque? Ou preferia jogar sozinho na frente?
Lee Atherton, Manchester
[Sem hesitar um segundo]
Dennis Bergkamp. Dennis.
Sem olhar a dinheiro, qual seria o jogador que gostava que assinasse pelo Arsenal para jogar consigo esta época?
Mike Francis, Ashford
Honestamente que não sei. Por vezes podes comprar um jogador que achas que será fantástico para o clube e ele acaba por não o ser, apenas não resulta – e ao contrário também pode acontecer. Podes desejar ‘estrelas’, mas nunca tens a certeza de como ele se adaptará. Assim como podes comprar um completo desconhecido e ele revelar-se um diamante. Vejam o que o Arsene lutou para ter o Cesc Fabregas quando ninguém fazia ideia de quem ele era, e vejam o que ele se revelou. O mesmo para o Kolo Toure. Não é uma questão de desejar grandes nomes, é de trazer jogadores que possam ajudar.
É desrespeitoso competir contra o Chelsea sabendo que eles podem comprar quem quiserem quando o período de transferências abrir?
Neil, via e-mail
As pessoas falam demasiado sobre dinheiro, dinheiro, dinheiro. Se puseres os melhores jogadores do mundo na mesma equipa, não é garantido que tenhas sucesso. O Chelsea merece crédito pelo que eles jogam e competem enquanto equipa. Vão e lutam. Não é fácil para eles todas as semanas. Inclusive marcam golos tardios para conseguirem a vitória, e isso é sinal de uma grande equipa. Obviamente que ajuda teres jogadores de topo, mas ter os melhores jogadores não é sinónimo de teres uma equipa vencedora.
Qual o central mais difícil que enfrentou?
John Quay, via e-mail
É difícil. De certeza que John Terry está esse lote, assim como Sol Campbell, Ledley King e o William Gallas. Mas também tive jogos muito complicados frente a centrais que não estão entre os mais óbvios candidatos. Por vezes é uma guerra – quando enfrentas Blackburn, Bolton, Everton, tu sabes que vais para uma batalha. Faz-me rir quando ouço alguém dizer que em Inglaterra é simples! Eles deveriam vir e jogar esse tipo de encontros e experimentar esse tipo de marcações. Por vezes esses jogos são os mais difíceis.
Theo Walcott é o futuro Thierry Henry inglês? Está a ajudá-lo a tornar-se nisso? Diga que sim, por favor…
Andy Kerr, Hove
Não gosto de comparar jogadores dessa forma. Mas ele tem potencial, um potencial enorme. Espero que chegue lá.
Tem a aparência o estilo e o carisma para entrar em filmes. Poderia ser o primeiro James Bond francês? Se não, em que tipo de filmes gostaria de participar?
Claire Thomas, via e-mail
Não. Por agora estou contente em ser jogador de futebol e não tenho intenções em tornar-me actor. Para seres actor tens de ser bom a ‘fingir’ e isso é suficientemente complicado para um futebolista.
Estando perto do final da carreira, pensou em quanto tempo mais jogará? Ficará em Londres?
Martin Henriques, Waverly
É complicado imaginar o meu futuro. Gosto de pensar que ainda tenho uns bons anos nas pernas antes de pensar no próximo passo. Mas penso em continuar ligado ao futebol. Não me imagino a estar longe do futebol.
Londres? Claro! Pode parecer estranho vindo de um francês, mas Londres é o que eu chamo de casa. Penso que irei viver aqui depois. Londres acolheu-me, e é uma coisa da qual eu me orgulho. Não é propriamente uma coisa simples de realizar quando chegas como estrangeiro a um país novo.
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